Quem somos nós?

Todos os dias milhões de brasileiros e brasileiras seguem a mesma rotina: se levantam, tomam café da manhã, se vestem, saem para o trabalho e passam seu dia contribuindo para o desenvolvimento do seu país. Não reclamam do péssimo transporte público, da calamidade dos serviços de saúde, de toda sorte de constrangimentos a que são submetidos todos os dias nas nossas cidades.

São os cidadãos comuns, os que não roubam, não ludibriam e não enganam. São os que ainda acreditam que seja possível mudar a estrutura corrupta de muitas das nossas instituições. São aqueles que incrédulos vêem todos os dias a politicagem barata ganhar do bom senso, da ética e do bom andamento da sociedade.

É a massa silenciosa que ainda não aprendeu a reivindicar seus direitos, a se manifestar publicamente, a exigir segurança no seu ir e vir, a participar da vida política do país. São os cidadãos que ainda não aprenderam a viver numa democracia, são os que não falam com medo de represálias do patrão, do político, de todos. São aqueles que não toleram, mas em quem o grito morre na garganta antes de ser dado.

São aqueles que há séculos têm sido educados como gado, de cabeça baixa, aceitando tudo sem questionar. São as massas que foram privadas de uma educação real de qualidade e que se encontram ainda numa escravidão intelectual que separa as classes. São aqueles a quem nunca ensinaram o que é civismo com medo de uma possível rebeldia.

Assim podemos explicar ao mundo o porquê do que acontece hoje no Senado Federal e em muitas outras instituições brasileiras. O poder é eleito pelo povo porém não tem medo dele. A bica da casa, um punhado de tijolos, um centro de atendimento na hora das eleições, um emprego, ainda vale como voto. Isso também explica como homens que purgaram o país durante tantas décadas ainda dão as cartas no poder, ainda fazem e desfazem das nossas leis, ainda tratam o Brasil como se fosse o quintal das suas casas.

O exemplo que vem de cima se espalha como câncer em alguns segmentos da sociedade. O tráfico de drogas e armas, a tomada de comunidades pelo poder paralelo, a desorganização urbana, o genocídio de jovens e crianças e o “se dar bem” em detrimento da causa pública são algumas das conseqüências da falta de ordem e de ética nos três poderes.

A verdade é que os anos passam e insistimos nos mesmos erros, nos velhos, maquiados de novos sistemas econômicos. Insistimos em não termos ideologias consistentes, mudando de cor cada vez que for oportuno às vésperas de uma eleição como nesse momento.

Temos que conseguir nos livrar desse peso do passado e mesmo do presente. Onde estão os novos líderes, aqueles que não terão medo de protegerem seus partidos e o fisiologismo dos políticos oportunistas? Muitos países passaram por momentos atrozes e conseguiram ter seus líderes como Nelson Mandela, Steve Biko e Martin Luther king. O primeiro amargou anos de prisão e os outros dois morreram pela pátria.

Nós ainda estamos procurando os nossos. Chega de hipocrisia. O Brasil merece mais respeito e dignidade. Não entraremos na modernidade e não seremos líderes de coisa nenhuma se não decidirmos o que queremos para nós e para as futuras gerações que terão que se educadas civicamente, para o trabalho e na ética. A grande mudança e o exemplo têm que vir de Brasília. Cabe a nós fazermos com que ela aconteça. A sacanagem não pode ser cultural como pregam alguns dos nossos políticos.

Yvonne Bezerra de Mello
Coordenadora do projeto Uerê

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Um comentário

  1. rose disse:

    Yvonne,sou sua fã nº1.Gostaria muito de conhecê-la pessoalmente.Admiro bastante o seu trabalho,é de pessoas assim que precisamos para mudar a história do nosso país.Parabéns!!!Que Deus te abençoe sempre…bjuss!

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