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	<title>Projeto Uerê &#187; Blog</title>
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		<title>Diário de Bordo UERÊ 2012</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 13:32:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Martha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reiniciamos as aulas no Projeto Uerê  dia 2 de janeiro. Tudo em paz até domingo, dia 8, com mais um tiroteio à noite . Na segunda-feira, dia 9, as crianças apresentaram o estresse sintomático pós tiroteio.
Yvonne continua com a capacitação da Pedagogia Uerê-Mello nas Redes Pública Municipais de Ensino do Rio de Janeiro e Recife.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Reiniciamos as aulas no Projeto Uerê  dia 2 de janeiro. Tudo em paz até domingo, dia 8, com mais um tiroteio à noite . Na segunda-feira, dia 9, as crianças apresentaram o estresse sintomático pós tiroteio.</p>
<p>Yvonne continua com a capacitação da Pedagogia Uerê-Mello nas Redes Pública Municipais de Ensino do Rio de Janeiro e Recife.</p>
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		<title>Livro sobre Pedagogia Uerê Mello conta história vencedora de projeto de educação no Complexo da Maré</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 15:52:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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		<description><![CDATA[“Aprender para viver” ensina método que ajuda crianças e adolescentes que vivem em áreas carentes e violentas a superar problemas cognitivos e aumentar aproveitamento escolar
A filóloga e educadora Yvonne Bezerra de Mello lança, no próximo dia 29 de setembro, no Rio de Janeiro, o livro Aprender para viver: a pedagogia Uerê-Mello e o ensino diferenciado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Aprender para viver” ensina método que ajuda crianças e adolescentes que vivem em áreas carentes e violentas a superar problemas cognitivos e aumentar aproveitamento escolar</em></p>
<p>A filóloga e educadora Yvonne Bezerra de Mello lança, no próximo dia 29 de setembro, no Rio de Janeiro, o livro Aprender para viver: a pedagogia Uerê-Mello e o ensino diferenciado para problemas cognitivos. O livro disseca o método de ensino alternativo desenvolvido por Yvonne e sua equipe para estimular o aprendizado de crianças e adolescentes com problemas de cognição. </p>
<p>Os problemas cognitivos, comuns especialmente em crianças criadas em ambientes violentos, dificultam o aproveitamento escolar, muitas vezes transformando jovens que terminaram o ensino médio  em analfabetos funcionais, sem qualquer chance para o mercado de trabalho.</p>
<p>A pedagogia Uerê-Mello foi desenvolvida ao longo de 35 anos de trabalho com crianças e jovens na Africa e no Brasil para atender à demanda de aprendizado em locais de conflito armado e de violência constante. Hoje é adotada como política pública na rede municipal do Rio de Janeiro e aplicada em escolas nas zonas de risco do município. Desde 1980, o método norteia o trabalho de Yvonne Bezerra de Melo com crianças nas ruas do Rio e no Projeto Uerê, uma escola modelo situada no Complexo da Maré.</p>
<p>As crianças e jovens que freqüentam a escola modelo Uerê moram no Complexo da Maré e em comunidades vizinhas e têm entre quatro e dezoito anos. Elas permanecem meio período na escola modelo, onde são apoiadas por uma equipe de educadores capacitados por meio da Pedagogia Uerê-Mello, e frequentam escolas públicas ou particulares (caso de crianças que recebem bolsas de apoiadores do projeto) na outra metade do dia. </p>
<p>No Uerê, as crianças comem, jogam, estudam, constroem sua autoconfiança, aumentam o seu conhecimento e sua chance para a escolaridade e a inserção no mercado de trabalho. “Nossa missão é quebrar o círculo vicioso da miséria pela educação e provar às crianças e jovens que frequentam a nossa escola de que a pobreza é um estado temporário”, explica Yvonne.</p>
<p>Desde 1980, mais de 3.000 crianças e jovens já passaram pelas mãos de Yvonne Bezerra de Mello. A escola modelo do Complexo da Maré atende atualmente 120 crianças e jovens. “A maioria das crianças que chegam ao Projeto Uerê têm uma grande deficiência linguística e muito pouco conhecimento. Como esse pré-conhecimento é indispensável para o aprendizado, essas crianças não conseguem acompanhar um currículo escolar. </p>
<p>No projeto Uerê, depois de seis meses de trabalho, essa criança ou jovem já consegue armazenar e reter uma parte do conhecimento perdido”, explica Yvonne, contando o exemplo do menino A., de 6 anos, que chegou ao projeto sem conseguir falar, articular sons e associar fonemas. “Depois de 4 meses, a professora na escola nos mandou chamar para dizer que um milagre tinha acontecido com esse menino. A fala melhorou e já começava a ter interesse pelo aprendizado”, lembra a educadora.</p>
<p>O trabalho do Uerê é direcionado para Inclusão social; aumentar o nível de escolaridade com ênfase na futura vida de trabalho; estimular a confiança e a auto-estima; ajudá-las a compreender a injustiça social de que são vítimas; orientá-las a se tornarem cidadãos responsáveis; prepará-las para competir num mercado de trabalho cada vez mais difícil.</p>
<p>Após os 15 anos, os jovens são encaminhados para entidades que apóiam o projeto, entre elas o Sindicato dos Hotéis do Rio de Janeiro, Senac-Rio e Hotéis Othon, com objetivo de estágio e capacitação para o primeiro emprego. Há vários casos de crianças que conseguiram terminar o ensino universitário, com excelente aproveitamento, e hoje ocupam funções de destaque e empresas privadas.</p>
<p>O projeto Uerê é apoiado por empresas, entidades nacionais e internacionais e pessoas físicas, que contribuem financeiramente para o custeio da escola e de seus professores. No entanto, como esse tipo de contribuição, atualmente, não dá direito a benefício fiscal, o projeto tem dificuldade de aumentar sua rede de patrocinadores para captar mais recursos e, assim, atender a um maior número de crianças e adolescentes. (Veja como ajudar <a href="http://projetouere.org.br/contribua/">aqui</a>) </p>
<p>Serviço:<br />
LANÇAMENTO DO LIVRO “Aprender para viver”<br />
Quando: 29 de setembro de 2010 (quarta-feira), a partir das 18h<br />
Onde: Rio Othon Palace (Avenida Atlântica, 3264, Copacabana) – Salão Azul 1º andar<br />
Apoio: PSA Peugeot Citroën</p>
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		<title>Nova Conta Bancária</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Apr 2010 15:24:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
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		<category><![CDATA[Yvonninha]]></category>

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		<description><![CDATA[Atenção pessoal: a conta bancária para doações ao Projeto Uerê mudou. Agora, quem quiser contribuir com nosso projeto deve depositar na seguinte conta:
PROJETO UERÊ
BRADESCO (237)
AGÊNCIA 3002
C/C 135.555-4
Se você chegou por aqui agora, conheça a Pedagogia Uerê-Mello e as fotos de nossos Uerês.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atenção pessoal: a conta bancária para doações ao Projeto Uerê mudou. Agora, quem quiser contribuir com nosso projeto deve depositar na seguinte conta:</p>
<p><strong>PROJETO UERÊ<br />
BRADESCO (237)<br />
AGÊNCIA 3002<br />
C/C 135.555-4</strong></p>
<p>Se você chegou por aqui agora, <a href="http://projetouere.org.br/conheca/">conheça a Pedagogia Uerê-Mello</a> e as <a href="http://projetouere.org.br/category/compartilhe/fotos/">fotos de nossos Uerês.</a></p>
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		<title>Final de ano movimentado no Projeto Uerê</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 15:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha só quanta coisa acontecendo aqui no Projeto Uerê no último mês do ano
Dia 7 dezembro apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ para a FECOMÉRCIO no restaurante Real Astória.
Dia 15 de dezembro será a festa de Natal das Guerreiras de Luz no Projeto Uerê com distribuição de presentes para 420 crianças e alegria com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha só quanta coisa acontecendo aqui no Projeto Uerê no último mês do ano</p>
<p><strong>Dia 7 dezembro</strong> apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ para a FECOMÉRCIO no restaurante Real Astória.</p>
<p><strong>Dia 15 de dezembr</strong><strong>o</strong> será a festa de Natal das Guerreiras de Luz no Projeto Uerê com distribuição de presentes para 420 crianças e alegria com Papai Noel e a turma da ANIMASOM.</p>
<p><strong>Dia 16 de dezembro</strong> será a festa de Natal dos Hotéis Othon para as crianças do Projeto Uerê com apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ, da banda BANDERÊ e da dança BOTA AQUI O SEU PEZINHO. Será aberta aos nossos amigos. Quem quiser comparecer, avisar a Luciana (9968-3850). Convites limitados. A festa será às 15 hs no Rio Othon Palace.</p>
<p><strong>Dia 22 de dezembro</strong> apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ e da dança BOTA AQUI O SEU PEZINHO para o Senac-Rio.</p>
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		<title>Quem somos nós?</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todos os dias milhões de brasileiros e brasileiras seguem a mesma rotina: se levantam, tomam café da manhã, se vestem, saem para o trabalho e passam seu dia contribuindo para o desenvolvimento do seu país. Não reclamam do péssimo transporte público, da calamidade dos serviços de saúde, de toda sorte de constrangimentos a que são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos os dias milhões de brasileiros e brasileiras seguem a mesma rotina: se levantam, tomam café da manhã, se vestem, saem para o trabalho e passam seu dia contribuindo para o desenvolvimento do seu país. Não reclamam do péssimo transporte público, da calamidade dos serviços de saúde, de toda sorte de constrangimentos a que são submetidos todos os dias nas nossas cidades.</p>
<p>São os cidadãos comuns, os que não roubam, não ludibriam e não enganam. São os que ainda acreditam que seja possível mudar a estrutura corrupta de muitas das nossas instituições. São aqueles que incrédulos vêem todos os dias a politicagem barata ganhar do bom senso, da ética e do bom andamento da sociedade.</p>
<p><span id="more-364"></span></p>
<p>É a massa silenciosa que ainda não aprendeu a reivindicar seus direitos, a se manifestar publicamente, a exigir segurança no seu ir e vir, a participar da vida política do país. São os cidadãos que ainda não aprenderam a viver numa democracia, são os que não falam com medo de represálias do patrão, do político, de todos. São aqueles que não toleram, mas em quem o grito morre na garganta antes de ser dado.</p>
<p>São aqueles que há séculos têm sido educados como gado, de cabeça baixa, aceitando tudo sem questionar. São as massas que foram privadas de uma educação real de qualidade e que se encontram ainda numa escravidão intelectual que separa as classes. São aqueles a quem nunca ensinaram o que é civismo com medo de uma possível rebeldia.</p>
<p>Assim podemos explicar ao mundo o porquê do que acontece hoje no Senado Federal e em muitas outras instituições brasileiras. O poder é eleito pelo povo porém não tem medo dele.  A bica da casa, um punhado de tijolos, um centro de atendimento na hora das eleições, um emprego, ainda vale como voto. Isso também explica como homens que purgaram o país durante tantas décadas ainda dão as cartas no poder, ainda fazem e desfazem das nossas leis, ainda tratam o Brasil como se fosse o quintal das suas casas.</p>
<p>O exemplo que vem de cima se espalha como câncer em alguns segmentos da sociedade. O tráfico de drogas e armas, a tomada de comunidades pelo poder paralelo, a desorganização urbana, o genocídio de jovens e crianças e o “se dar bem” em detrimento da causa pública são algumas das conseqüências da falta de ordem e de ética nos três poderes.</p>
<p>A verdade é que os anos passam e insistimos nos mesmos erros, nos velhos, maquiados de novos sistemas econômicos. Insistimos em não termos ideologias consistentes, mudando de cor cada vez que for oportuno às vésperas de uma eleição como nesse momento.</p>
<p>Temos que conseguir nos livrar desse peso do passado e mesmo do presente. Onde estão os novos líderes, aqueles que não terão medo de protegerem seus partidos e o fisiologismo dos políticos oportunistas? Muitos países passaram por momentos atrozes e conseguiram ter seus líderes como Nelson Mandela, Steve Biko e Martin Luther king. O primeiro amargou anos de prisão e os outros dois morreram pela pátria.</p>
<p>Nós ainda estamos procurando os nossos. Chega de hipocrisia. O Brasil merece mais respeito e dignidade. Não entraremos na modernidade e não seremos líderes de coisa nenhuma se não decidirmos o que queremos para nós e para as futuras gerações que terão que se educadas civicamente, para o trabalho e na ética. A grande mudança e o exemplo têm que vir de Brasília. Cabe a nós fazermos com que ela aconteça. A sacanagem não pode ser cultural como pregam alguns dos nossos políticos.</p>
<p><strong>Yvonne Bezerra de Mello</strong><br />
<em>Coordenadora do projeto Uerê</em></p>
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		<title>A verdade no problema educacional público brasileiro</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por que as crianças brasileiras não aprendem? Todos nós temos nos perguntado o porquê de tal tragédia depois das últimas noticias sobre o analfabetismo nas escolas. Nada acontece por acaso.
A associação de múltiplas situações de risco e traumas constantes que ameaçam a integridade corporal e emocional contribui para a fragmentação da seqüência das etapas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que as crianças brasileiras não aprendem? Todos nós temos nos perguntado o porquê de tal tragédia depois das últimas noticias sobre o analfabetismo nas escolas. Nada acontece por acaso.</p>
<p>A associação de múltiplas situações de risco e traumas constantes que ameaçam a integridade corporal e emocional contribui para a fragmentação da seqüência das etapas de desenvolvimento, da aquisição das habilidades necessárias para o aprendizado e para o desempenho dos papéis sociais. A cada dia e progressivamente, as causas e os efeitos traumáticos, quando não interrompidos ou resolvidos, contribuem para a marginalização escolar e exclusão social, para mais discriminação e principalmente para outros episódios de violência e abusos com sintomas pós-traumáticos. Ou ocasionam desfechos trágicos, como desastres, conflitos armados entre facções rivais, “balas perdidas” e a morte precoce.<br />
<span id="more-360"></span><br />
A proteção de crianças e adolescentes contra qualquer forma de abuso, abandono, exploração e violência está assegurada pela Convenção dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas, e confirmada pelo Brasil, país signatário deste documento mas infelizmente ainda é muito precária em todos o território nacional.</p>
<p>Também é uma das cinco metas do compromisso firmado em 2002, “Um Mundo para Crianças”, e que desde então tenta ser implementado neste país, apesar das flutuações políticas governamentais e da constante falta de recursos públicos disponíveis para as áreas de Saúde e de Educação.</p>
<p>Desde 1990, existe ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura os direitos de cidadania e de saúde como prioritários para todas as crianças e adolescentes até os 18 anos de idade. No entanto, a desigualdade social e intelectual, o desemprego, a violência, o tráfico de drogas e a falta de suporte social nas escolas, são alguns dos fatores que mais contribuem para os episódios constantes de maus tratos, abandono e de situações traumáticas nos “bolsões de miséria” urbana. As vivências traumáticas são marcantes e têm um enorme custo social e de impacto na saúde pública e na educação do país.</p>
<p>Os problemas traumáticos que variam da desnutrição crônica primária, a infecções e hospitalizações freqüentes por doenças comuns destas faixas etárias, e ainda a lesões corporais, abusos sexuais e casos de negligência e do abandono familiar vão tendo um efeito cumulativo, crônico e progressivo causando atrasos no desenvolvimento cerebral e cognitivo, transtornos de aprendizado e alfabetização, repetências e exclusão escolar, além do aumento de problemas mentais, como depressão, surtos dissociativos, abusos de drogas e álcool, transtornos de conduta e estresse.</p>
<p>O estresse pode ser definido como um conflito grave ou uma ameaça à liberdade ou integridade física, mental, sexual ou social e é vivenciado quando a pessoa perde uma ou mais fontes importantes de valores afetivos humanos, como a morte de mãe ou pai ou familiar, ou a perda de possessões como a casa, residência ou local onde vive, ou outras conexões de afeto e amor que são valiosas e importantes e que acontecem todos os dias com crianças em zonas de risco social. Daí os fatores de risco maiores com repercussões imediatas e à longo prazo no comportamento e na incapacidade de aprender das crianças e jovens que viveram estes traumas durante seu crescimento.</p>
<p>As causas mais freqüentes enfrentadas por crianças e adolescentes que vivem nas favelas são a morte ou testemunhar assassinatos ou agressões de entes queridos, separação familiar, castigos, torturas, abusos, doença mental ou alcoolismo familiar, e violências entre os grupos armados do tráfico de drogas local. 	Eventos traumáticos constantes e prolongados afetam toda a dinâmica familiar e comunitária, causando um impacto maior nos mecanismos de adaptação e sobrevivência. Muitas vezes, adolescentes deixam de ir à escola por tiroteios e disputas locais. Ou são “ameaçados” e “marcados de morte” ou tem seus dedos amputados devido a castigos que são impostos, pelos “donos-do-poder” que assim fortalecem sua “autoridade”.</p>
<p>As reações pós-traumáticas são manifestas em diferentes formas e reações que variam de acordo com a faixa etária e a fase do desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo e mental, em que se encontra a criança e o adolescente. Se os governantes fossem bem informados o número aviltante de crianças traumatizadas e que não aprendem não deveria ser uma novidade. Isso vem acontecendo há anos e a verdade cruel e vergonhosa vem sendo varrida debaixo do tapete do poder que prefere culpar professores pelo fracasso em vez de terem uma política de educação e de segurança pública que evite tais traumas na sua população infantil. A violência leva a rupturas e interrupções na progressão das fases do crescimento e desenvolvimento, causando um profundo impacto nos mecanismos de adaptação e sobrevivência e bloqueios na aprendizagem.</p>
<p>Crianças e adolescentes que sofreram abusos ou abandono, e que foram traumatizadas podem reagir em condutas de defesa e se tornarem mais agressivos com problemas de comportamento, por dificuldades em controlar seus impulsos e emoções, e levando a outras situações anti-sociais ou criminosas, abusos de drogas, e auto-agressões com mutilações corporais. De que adiantam desenvolvimento econômico se o material humano vem sendo negligenciado e literalmente mal preparado para uma vida futura de trabalho. Educação de qualidade não é somente ler e escrever como pregam, mas sim ter paz para aprender, desenvolver suas potencialidades num ensino com conteúdo que contemple a modernidade e a tecnologia.</p>
<p>Infelizmente ainda estamos longe disso tentando ensinar num modelo de escola ultrapassado e pouco preparado para os desafios dessa população infantil e juvenil que tenta sobreviver nesse país que não consegue mudar suas estruturas políticas.</p>
<p><strong>Yvonne Bezerra de Mello</strong><br />
<em>Coordenadora executiva do Projeto Uerê</em></p>
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		<title>Esse espaço é nosso</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 14:29:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mauro Amaral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O blog do Projeto Uerê é como sua escola: um espaço aberto para conversarmos, aprendermos a viver e vivermos para aprender. As possibilidades de troca de informação entre todos os nossos colaboradores, parceiros e alunos é mais do que uma consequência. É fruto de nosso trabalho e missão. Queremos publicar por aqui um registro vivo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O blog do <strong>Projeto Uerê</strong> é como sua escola: um espaço aberto para conversarmos, aprendermos a viver e vivermos para aprender. As possibilidades de troca de informação entre todos os nossos colaboradores, parceiros e alunos é mais do que uma consequência. É fruto de nosso trabalho e missão. Queremos publicar por aqui um registro vivo de nossa metodologia e desafios diários. E contamos com todos vocês para comentar e divulgar.</p>
]]></content:encoded>
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