Diário de Bordo UERÊ 2012

Reiniciamos as aulas no Projeto Uerê  dia 2 de janeiro. Tudo em paz até domingo, dia 8, com mais um tiroteio à noite . Na segunda-feira, dia 9, as crianças apresentaram o estresse sintomático pós tiroteio.

Yvonne continua com a capacitação da Pedagogia Uerê-Mello nas Redes Pública Municipais de Ensino do Rio de Janeiro e Recife.

Livro sobre Pedagogia Uerê Mello conta história vencedora de projeto de educação no Complexo da Maré

“Aprender para viver” ensina método que ajuda crianças e adolescentes que vivem em áreas carentes e violentas a superar problemas cognitivos e aumentar aproveitamento escolar

A filóloga e educadora Yvonne Bezerra de Mello lança, no próximo dia 29 de setembro, no Rio de Janeiro, o livro Aprender para viver: a pedagogia Uerê-Mello e o ensino diferenciado para problemas cognitivos. O livro disseca o método de ensino alternativo desenvolvido por Yvonne e sua equipe para estimular o aprendizado de crianças e adolescentes com problemas de cognição.

Os problemas cognitivos, comuns especialmente em crianças criadas em ambientes violentos, dificultam o aproveitamento escolar, muitas vezes transformando jovens que terminaram o ensino médio em analfabetos funcionais, sem qualquer chance para o mercado de trabalho.

A pedagogia Uerê-Mello foi desenvolvida ao longo de 35 anos de trabalho com crianças e jovens na Africa e no Brasil para atender à demanda de aprendizado em locais de conflito armado e de violência constante. Hoje é adotada como política pública na rede municipal do Rio de Janeiro e aplicada em escolas nas zonas de risco do município. Desde 1980, o método norteia o trabalho de Yvonne Bezerra de Melo com crianças nas ruas do Rio e no Projeto Uerê, uma escola modelo situada no Complexo da Maré.

As crianças e jovens que freqüentam a escola modelo Uerê moram no Complexo da Maré e em comunidades vizinhas e têm entre quatro e dezoito anos. Elas permanecem meio período na escola modelo, onde são apoiadas por uma equipe de educadores capacitados por meio da Pedagogia Uerê-Mello, e frequentam escolas públicas ou particulares (caso de crianças que recebem bolsas de apoiadores do projeto) na outra metade do dia.

No Uerê, as crianças comem, jogam, estudam, constroem sua autoconfiança, aumentam o seu conhecimento e sua chance para a escolaridade e a inserção no mercado de trabalho. “Nossa missão é quebrar o círculo vicioso da miséria pela educação e provar às crianças e jovens que frequentam a nossa escola de que a pobreza é um estado temporário”, explica Yvonne.

Desde 1980, mais de 3.000 crianças e jovens já passaram pelas mãos de Yvonne Bezerra de Mello. A escola modelo do Complexo da Maré atende atualmente 120 crianças e jovens. “A maioria das crianças que chegam ao Projeto Uerê têm uma grande deficiência linguística e muito pouco conhecimento. Como esse pré-conhecimento é indispensável para o aprendizado, essas crianças não conseguem acompanhar um currículo escolar.

No projeto Uerê, depois de seis meses de trabalho, essa criança ou jovem já consegue armazenar e reter uma parte do conhecimento perdido”, explica Yvonne, contando o exemplo do menino A., de 6 anos, que chegou ao projeto sem conseguir falar, articular sons e associar fonemas. “Depois de 4 meses, a professora na escola nos mandou chamar para dizer que um milagre tinha acontecido com esse menino. A fala melhorou e já começava a ter interesse pelo aprendizado”, lembra a educadora.

O trabalho do Uerê é direcionado para Inclusão social; aumentar o nível de escolaridade com ênfase na futura vida de trabalho; estimular a confiança e a auto-estima; ajudá-las a compreender a injustiça social de que são vítimas; orientá-las a se tornarem cidadãos responsáveis; prepará-las para competir num mercado de trabalho cada vez mais difícil.

Após os 15 anos, os jovens são encaminhados para entidades que apóiam o projeto, entre elas o Sindicato dos Hotéis do Rio de Janeiro, Senac-Rio e Hotéis Othon, com objetivo de estágio e capacitação para o primeiro emprego. Há vários casos de crianças que conseguiram terminar o ensino universitário, com excelente aproveitamento, e hoje ocupam funções de destaque e empresas privadas.

O projeto Uerê é apoiado por empresas, entidades nacionais e internacionais e pessoas físicas, que contribuem financeiramente para o custeio da escola e de seus professores. No entanto, como esse tipo de contribuição, atualmente, não dá direito a benefício fiscal, o projeto tem dificuldade de aumentar sua rede de patrocinadores para captar mais recursos e, assim, atender a um maior número de crianças e adolescentes. (Veja como ajudar aqui)

Serviço:
LANÇAMENTO DO LIVRO “Aprender para viver”
Quando: 29 de setembro de 2010 (quarta-feira), a partir das 18h
Onde: Rio Othon Palace (Avenida Atlântica, 3264, Copacabana) – Salão Azul 1º andar
Apoio: PSA Peugeot Citroën

Nova Conta Bancária

Atenção pessoal: a conta bancária para doações ao Projeto Uerê mudou. Agora, quem quiser contribuir com nosso projeto deve depositar na seguinte conta:

PROJETO UERÊ
BRADESCO (237)
AGÊNCIA 3002
C/C 135.555-4

Se você chegou por aqui agora, conheça a Pedagogia Uerê-Mello e as fotos de nossos Uerês.

Final de ano movimentado no Projeto Uerê

Olha só quanta coisa acontecendo aqui no Projeto Uerê no último mês do ano

Dia 7 dezembro apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ para a FECOMÉRCIO no restaurante Real Astória.

Dia 15 de dezembro será a festa de Natal das Guerreiras de Luz no Projeto Uerê com distribuição de presentes para 420 crianças e alegria com Papai Noel e a turma da ANIMASOM.

Dia 16 de dezembro será a festa de Natal dos Hotéis Othon para as crianças do Projeto Uerê com apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ, da banda BANDERÊ e da dança BOTA AQUI O SEU PEZINHO. Será aberta aos nossos amigos. Quem quiser comparecer, avisar a Luciana (9968-3850). Convites limitados. A festa será às 15 hs no Rio Othon Palace.

Dia 22 de dezembro apresentação do coral A PATATIVA DO UERÊ e da dança BOTA AQUI O SEU PEZINHO para o Senac-Rio.

Quem somos nós?

Todos os dias milhões de brasileiros e brasileiras seguem a mesma rotina: se levantam, tomam café da manhã, se vestem, saem para o trabalho e passam seu dia contribuindo para o desenvolvimento do seu país. Não reclamam do péssimo transporte público, da calamidade dos serviços de saúde, de toda sorte de constrangimentos a que são submetidos todos os dias nas nossas cidades.

São os cidadãos comuns, os que não roubam, não ludibriam e não enganam. São os que ainda acreditam que seja possível mudar a estrutura corrupta de muitas das nossas instituições. São aqueles que incrédulos vêem todos os dias a politicagem barata ganhar do bom senso, da ética e do bom andamento da sociedade.

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A verdade no problema educacional público brasileiro

Por que as crianças brasileiras não aprendem? Todos nós temos nos perguntado o porquê de tal tragédia depois das últimas noticias sobre o analfabetismo nas escolas. Nada acontece por acaso.

A associação de múltiplas situações de risco e traumas constantes que ameaçam a integridade corporal e emocional contribui para a fragmentação da seqüência das etapas de desenvolvimento, da aquisição das habilidades necessárias para o aprendizado e para o desempenho dos papéis sociais. A cada dia e progressivamente, as causas e os efeitos traumáticos, quando não interrompidos ou resolvidos, contribuem para a marginalização escolar e exclusão social, para mais discriminação e principalmente para outros episódios de violência e abusos com sintomas pós-traumáticos. Ou ocasionam desfechos trágicos, como desastres, conflitos armados entre facções rivais, “balas perdidas” e a morte precoce.
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Esse espaço é nosso

O blog do Projeto Uerê é como sua escola: um espaço aberto para conversarmos, aprendermos a viver e vivermos para aprender. As possibilidades de troca de informação entre todos os nossos colaboradores, parceiros e alunos é mais do que uma consequência. É fruto de nosso trabalho e missão. Queremos publicar por aqui um registro vivo de nossa metodologia e desafios diários. E contamos com todos vocês para comentar e divulgar.